sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Ensinamentos de uma autista social


"As curvas no caminho, meus olhos tão distantes..."
Não que seja de todo ruim, mas todo dia na estrada não é muito legal, não. Objetivamente falando, meu currículo não fala bastante sobre mim, porque não acho que um currículo fale que determinada pessoa serve para determinada posição. Isso porque me disseram uma vez que currículo era o mais importante. Tá certo. Minha vontade de fazer direito não vale muito.
Tem um monte de coisas que ninguém nuuuuunca disse, mas acho importante repassar, pra depois não constar em qualquer lugar na literatura internet os avisos sobre "o que nunca te avisaram sobre a vida mas você precisa saber":
1 - Tem gente que não sabe usar acentos, vírgulas, concordância verbal e/ou nominal, não entende declarações em sentido figurado, não corrige as apresentações de powerpoint antes de apresentação propriamente dita, adora falar as coisas que todo mundo já sabe com uma pose de potência, sabedoria e pseudosuperioridade que chega a dar nojo (ah, e que não sabe usar o infinitivo corretamente... o munto tá cheio de gente assim, inclusive na publicidade. Um horror!). Não importa o que você pense, sempre vai ter a desagradável impressão de que pessoas assim vão sempre se dando bem na vida e você não avança, mesmo fazendo tudo certo.
2 - Seu vizinho tem um vício? Seu colega de trabalho também? Seu chefe? O irmão do seu amigo? Interessante. Deixa eu contar uma coisa: você tem um vício ou ainda vai desenvolver. Todas as pessoas têm um hábito contrário à ordem social com o qual descarregar as frustrações. O(s) meu(s) é(são) café, música, lápis e unhas.
3 - Tem épocas nas quais é impossível desenvolver bons hábitos de vida, tipo: alimentação saudável, exercício físico, salão de beleza, música erudita. Faça o que for dando certo, mesmo assim. Até forçar vale.
4 - Você aprende por forças do destino a falar palavrão. Até cantando, tropeçando, metendo a testa no birô, derrubando o celular três vezes tentando apanhá-lo, metendo a testa no birô e caindo da cadeira fastando para trás - tudo ao mesmo tempo. E mesmo achando que palavra feia é sempre grosseria.
5 - Pra dentro você será sempre sério(a), mas pra fora em algumas horas você será extremamente engraçado(a). E é até importante que lhe vejam como acessível e flexível do que como chato(a) e impertinente.
6 - Se não couber, emagreça. Se estiver sobrando pano, procure preencher o vazio de alguma forma.
7 - Perder sono com os problemas não irá resolvê-los. Sempre digo que quando paramos de pensar neles, resolvem-se sozinhos. Mas você nunca irá aprender isso. Eu nunca aprendi. Mesmo falando, nunca absorvo.
8 - É sempre bom ser pontual. Isso força a pessoa a necessariamente aprender a gostar de ler ou ter algo para escrever ou fazer enquanto espera, sempre, pela pessoa que chega atrasada. É sempre bom ser pontual. Sou pontual. O resto do mundo, não.
9 - Para viver é preciso ter regras. É preciso. Entre as 11:00 e 13:00 sou praticamente improdutiva, bem como entre as 17:00 e 18:45. É fato, experimentalmente comprovado. Depois disso sirvo até as 2:57 ininterruptamente. Da porta do meu quarto para dentro só eu entendo a disposição de cada livro na estante, e mesmo não tendo ordem, sei onde está cada coisa. Sempre útil estabelecer regras individuais e subjetivas. E não é preciso explicar logicamente suas regras para poder ser aceito em sociedade. Mesmo que a maioria de seus raciocícios tenha origem autista.
10 - Não importa os planos que faça para o salão. Você nunca chegará no horário.
11 - É bom que tenha tido pressão arterial normalmente a cerca de 100x60 mmHg (10 por 6). Quando começar a enfrentar os problemas para os quais nunca tenha estudado, sua pressão vai subir e suas mãos e pés estarão inchados à noite.
12 - Não limpe os ouvidos todos os dias. Faça isso pelo menos uma vez a cada 20 dias. Até a cera do ouvido é sinal de saúde.
13 - Abstinência sexual das coisas de que gostamos não necessariamente implica em variações significativas da eficácia do serviço. Passou-se o tempo em que essa história colava.

domingo, 27 de setembro de 2009

You know...


Sh*t happens all the time... E quanto menos queremos escorregar no sabão no chão quando estamos lavando a área, mais caímos. Não importa o quão longe você queira ficar de algumas pessoas e dos problemas, eles vêm atrás de você igual àquelas menininhas de camisolinha branca e cabelo sebento dos filmes de terror. Verdade!
Quanto mais piadas você tenta fazer das frustrações, mais sérias elas ficam até que chega uma hora em que você explode - de chorar, e de raiva, e de frustração, mesmo.
Quanto mais você quer - precisa, escrever, menos tem coragem. Porque vontade não anda necessariamente lado-a-lado com a coragem. Isso é fato.
Quanto mais se ama, mais se é amado - mas se certifique se houve um sinal concreto de amor antes. Pelo menos isso dá certo. Mas isso não quer dizer que o Dalai Lama esteja certo sempre.
Se você gosta(va) de dançar, dance em casa quando estiver só. Faça uma festinha só para você. Mas não acredite piamente que você é a Lady Gaga, Beyoncé, o Justin Timberlake ou o finado Michael; só estou projetando os planos de relaxamento que tento de vez em quando e que eventualmente dão certo.
Acenda um incenso, ou dois, ou até três. Mas não faça fogueira. Pode ser que pensem que você anda usando drogas...
Ande cantando pelas ruas. É uma forma natural e gostosa de defesa pessoal; os bandidos pensarão que você seja louco(a) e não se aproximarão, receando uma reação deveras hostil.
Não mude sempre que sofrer ameaça de perder algo que tenha no momento - se conquistou, é porque mereceu e se não está bom, procure alternativas, urgentemente!
Se for amor, calor. Se for trabalho, cbaralho.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

"Definição do meu comportamento na visão alheia não tão alheia assim" ou Quantos livros carrego na bolsa...

Comentário de uma pessoa que sabe me definir:
"Se vc usasse tantas calcinhas de uma vez só quanto os livros que carrega de uma vez só na mochila (mesmo sabendo que nao terá nem uma brechinha de tempo para lê-los) vc teria um popozao comparavel ao de Beyonça!!" (o anonimato do[a] autor[a] do comentário será preservado, a menos que a própria pessoa se denuncie...)

BATIDO!

Pouco tempo - muita coisa


Quantas vezes, em um espaço inferior a 5 dias, você andou entre a poeira, fogo, gritos, desceu serra a pé e cruzou o estado a 150km/h, amou, reamou, reapaixonou e reapaixonou-se? Se houve dias em que tive a impressão de que não cansaria, hoje eu esganaria a "eu" do passado - ela não tinha idéia do que era realmente cansaço.
[and it kicks so hard, it breaks your bones, cuts so deep and hits your soul. Tears your skin and makes your blood flow. It's better let your know that love is hard. Love takes hostages and gives a pain and someone the power to hurt you again and again]
Se semana passada eu sofria os efeitos dos hormônios femininos (não é montanha russa - é passagem tripla de translado céu-inferno em queda-livre, mermão!), hoje até desejaria que não chegassem perto de mim em crise de ciclotimia e, já que decorre deles, a enxaqueca também fosse embora com o edema e que a pele continuasse como está.
Como se realmente remediasse (e às vezes dá certíssimo), ouvir música em overdose não provocaria estupor. Passo por isso também eventualmente... mas só para não estuporar por outros motivos externos a mim.
[I can't believe I said I'd lay our love on the ground... I'd come for you but only if you told me to. I'd fight for you, I'd lie, it's true. You know, I ALWAYS come for you]

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Move on! Move on!


"Feliz" era aquele jornalista do tempo... felicidade é um estado e não uma graça. Para alcançar esse estado você tem que passar da fase do "pensar no que seria", ou "e pode?", ou "ai, Meu Deus, não vai dar certo" e do "não vou ter apoio" para o LIGUE O FODA-SE E SEJA FELIZ. Se as pessoas não apoiarem o que você quer tentar naquele momento só pra ver no que dá, bem, certamente não são aquelas as pessoas que querem o seu bem-estar. Queira o seu próprio bem-estar, pelo menos dentro do realizável, do possível, do seu próprio imaginável e "satisfazível", desde que não faça mal ao próximo e que seja, no mínimo, positivo para seu futuro.
Deixe de remoer sobre o que faz falta agora, sobre a ajuda que poderia ter. Até as previsibilidades serão uma surpresa: se antes tinha uma idéia negativa do que poderia acontecer e se essa idéia se concretiza, bem, a certeza é de que você TEM que andar adiante (move on! move on!) e dar tchauzinho àquilo que antes lhe despertava pensamentos ruins. Se antes tinha receio de que as alternativas tomadas fossem se mostrar negativas e no final das contas superaram suas expectativas, olhaí, lá está a felicidade-estado-de-espírito.
Na pior das hipóteses, temos momentos alegres, mas a felicidade mesmo, essa quimera, não vai existir em um plano concreto.
Mas faça. Dê a cara a tapa. Corra atrás. O mês de novembro e dezembro serão horríveis com tantas coisas a fazer, tanta ansiedade, tantos receios, mas pelo menos estará tentanto e se fazendo contente no processo de correr atrás do que acredita que lhe fará bem, mesmo que transitoriamente.
Ceda ao máximo, mas não a si mesmo(a) por completo. Seja. Ative-se. Reviva.